domingo, 20 de dezembro de 2009

Melhor Amigo


O melhor amigo do homem com certeza,
É o cão.
Amigo presente e constante,
Valente, solidário e fiel a todo instante.
Demonstra ser capaz de em defesa,
Do seu dono e da casa até morrer!
Amoroso, adora um carinho, um cafuné!
Obediente aguarda, deitado do dono ao pé.
O momento de a canina fidelidade exercer!
Se lhe dão bronca, sai de cauda arriada,
Orelhas murchas, para logo, logo voltar...
Tendo nos olhos a expressão arrependida,
Como a pedir perdão e ao dono perdoar.
Ele é do homem o amigo verdadeiro,
Desde o remoto tempo da caverna.
E a razão desta amizade ser eterna,
É ele desconhecer o valor do dinheiro
Por: Pedro Paulo Gama Bentes

Asa de Borboleta


Queria dedicar-te um canto
Nesta terna e longa viagem
Através da poesia.

Queria dar-te uma flor
Que jamais seque algum dia.
Pois ser feliz é esquecer…
A amargura do momento
E só assim a vida é sublime
Bonita!, ao mesmo tempo:
Como este mar
Que nos separa
Nesta noite amena e calma
Silêncio! Que o meu luar
Por: Rogério Martins Simões

Chuva


Chuva, caindo tão mansa,
Na paisagem do momento,
Trazes mais esta lembrança
De profundo isolamento.
Chuva, caindo em silêncio
Na tarde, sem claridade...
A meu sonhar d'hoje, vence-o
Uma infinita saudade.
Chuva, caindo tão mansa,
Em branda serenidade.
Hoje minh'alma descansa.
— Que perfeita intimidade!...
Por: Francisco Bugalho

Cascata de Emoções


Na alvorada dos meus dias mansos
Agitam-se-me as águas brandas
Numa cascata de emoção
Nos abraços com que me enlaças
E me enterneces a pedra
que vive no meu coração
Sabes porque me encanta o teu sonho?
Porque ele é meu também
Nele os anjos, alvos de esperança,
tocam liras e alaúdes de candura
Entoam cânticos de paz
Clamando a luz do amor
Nele flutuo contigo…
Quebra-se-me o gelo da alma
Num almofariz de ternura
Se o poema é parco nas palavras
Carece de um sorriso teu
Para tomar forma e textura
Por: Nanda

Portugal


Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que te dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.
E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:
Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado
Por: Miguel Torga

Estar Sozinha


Escorregar por entre os dedos,
a areia duma praia deserta, correr sem pressa, nem medos,
entrar pela porta já aberta.
Sentir um arrepio de frio,
fechar a janela encostada,
olhar o grande vazio,
duma casa meio abandonada.
Ver a porta entreberta e entrar,
como a medo, vacilar,
paredes murmuram quase a cair,
vai embora, tens que sair..
Ofegante, trémula, curiosa...
transpirando de emoção,
correr, fugir furiosa,
sair do meio da solidão...

Por: Rosália

Castelo Templo


Tempo ancestral, tempo de nostalgia
Cavaleiro monge me via
Cruzar a floresta
Com Cristo e Mestria.
Para lá, o Reino de Neptuno
Protegia um Castelo Templo Iluminado com a centelha do uno
A filigrama que ainda hoje contemplo
Só Pegassus me poderia ajudar
A transpor esse elemento
Para alcançar a Dama Dolcinea
O Graal e o firmamento.
Por: Jorge Moreira

Magia






Magia
Magia vejo
Feitiços vejo
Feiticeiros vejo
O mal do meu corpo
P’ra traz das costas
O desejo
Tento Aprender a magia,
Mas não consigo
Por mais que me esforce, não consigo!
Quero aprender, mas sem praticar não vou lá
Assim não dá!
Uma flor nasce por magia
O amor também e magia
Sei lá como isto acontece
Por: Caio

Um olhar, Uma poesia


Existe mais poesia no olhar de quem ama,
Do que em mil poemas que se escrevam.
Mas nem por isso devemos deixar de escrever mil poemas
Para mostrar ao mundo o que esse olhar significa


De: Desconhecido

Areia


Meu bergantim foi-se ao mar...
Foi-se ao mar e não voltou,
que numa praia distante,
meu bergantim se afundou...

Meu bergantim foi-se ao mar!
levava beijos nas velas,
e nas arcas, ilusões,
que só a mim me ofereci...

Levava à popa, esculpido,
o perfil, leve e discreto,
daqueles que um dia perdi.

Levava mastros pintados,
bandeiras de todo o mundo,
e soldadinhos de chumbona coberta, perfilados.

Foi-se ao mar meu bergantim,
Foi-se ao mar... nunca voltou!

E por sete luas cheias
No areal se chorou...


Por: Alda Lara

Fogo do Céu


Sobre as salinas, àquela hora
O céu cobre-se de fogo
E os barcos lá longe
Fogem do seu fascínio
Procurando águas
Que espelhem o azul celeste
As nuvens descem sobre o rio
e ruborizam afogueadas
como se quisessem mergulhar
para saciar a sua sede
e recarregar as gotas do seu pranto

E os meus olhos abrem-se
A um pôr-do-sol idílico

O cenário parece estanque
E eu pinto nos meus versos,
num pôr-do-sol,
A magia deste lugar


Por: Maria Fernanda Reis Esteves

Cada Árvore É Um Ser Para Ser Em Nós.


Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada

À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim

a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses


Por: António Ramos Rosa